sexta-feira, 3 de junho de 2011

Como os príncipes viram sapo?


Como os príncipes viram sapo?


Todos acreditavam que se tratava de um príncipe, não tinha “o cavalo branco”, mas seu carro era robusto e acreditem era branco. Sempre gentil, abria a porta do carro, dava presentes com freqüência, era bonito, galanteador e falava eu te amo com tanta freqüência que até mesmo a mais desconfiada das mulheres acreditaria. Tratava-se de um “marketeiro” de verdade.

Um dia o príncipe foi embora, sem muitas explicações disse que o relacionamento estava desgastado e que apesar de todo amor precisava ir embora. Na verdade ele já havia achado uma nova “princesa” onde receberia um dote maior, ela tinha o que o príncipe precisava: uma casa para se aconchegar e bastantes mimos para suprir sua infinita carência. Ele se casou, teve filhos e é bem provável que nem se lembre que um dia deixou um castelo em ruínas causado pela infinita tristeza do abandono.

Por muito tempo o castelo abalado e solitário viveu as sombras da indignação e revolta, ninguém pode imaginar o quanto ela sofreu em silêncio.

A princesa só conseguiu seguir sua vida quando percebeu que a culpa pelo seu sofrimento era exclusivamente sua. Sim. Nós somos responsáveis pelos nossos sofrimentos e por permitir que as pessoas entrem em nossas vidas e façam o que quiserem. Esquecemos apenas que somos a única pessoa que tem a chave do portão e que podemos controlar a entrada e saída. Mas então, como sabemos quem é príncipe e quem é sapo e como controlamos a “portaria” da nossa vida ? Fácil, os príncipes não existem, com exceção é claro dos desenhos, filmes e novelas. O resto é farsa. Infelizmente crescemos com a falsa idéia de que alguém irá nos salvar e de que seremos felizes para sempre. O resultado é que criamos expectativas demais nas nossas relações e principalmente na outra pessoa. Não podemos nos comportar como se fossemos princesas a espera de salvação, primeiro porque princesas também não existem e segundo porque não podemos depender de alguém para nos salvar ou para sermos felizes.

Outra questão é o “foram felizes para sempre”. Porque um relacionamento só dá certo se ele dura para sempre? Não deu certo se durou 1 dia, 1 semana, 1 ano? Vocês não foram felizes por aquele determinado tempo? Porque lamentamos a perda ao invés de comemorar a felicidade que experimentamos? Porque não respeitamos a decisão do outro em não querer mais nossa companhia? Alias, sabe aquele falso príncipe do início da história, o mau caráter? Ele não é tão mau assim como parece, tem uma história de abandonos desde a criança o que gerou uma necessidade de atenção muito maior do que a pobre princesa podia dar, ao encontrar uma outra princesa, mais velha, viu a chance de conquistar a tão deseja atenção. No momento do término do relacionamento, a princesa estava no último ano da faculdade, sobrecarregada com trabalho, estudos, estágios, etc, e não tinha tempo para as carências do até então príncipe, por isso não podemos culpá-lo, pois naquele momento ele precisava de algo que ela não podia dar. Portanto, podemos dizer que estar juntos é caminhar juntos na mesma direção, com o mesmo objetivo, quando um ou os dois sentem necessidade de mudar de caminho, existe a possibilidade do fim do relacionamento. Imagine uma mulher aos 15, 20, 30 anos e verá que somos seres em constante evolução.

Quanto a princesa, ela deixou de ser princesa e por conseqüência não quis encontrar outro príncipe, casou-se com um homem normal, com todos os seus defeitos e é claro qualidades. Mas antes disso tudo, aprendeu a ser feliz sozinha e passou a acreditar no amor sem cobranças, sem correntes e sofrimentos. Terminou a faculdade, foi promovida no emprego, comprou sua casa, tornou-se independente. Um dia saiu com alguém sem pretensões, não sentiu aquele frio na barriga, nem viu estrelas e corações caírem, mas ali de mãos dadas pode sentir a segurança e confiança de um homem comum. Não podemos dizer que eles serão felizes para sempre, mas podemos afirmar que hoje eles são, e é isso o que importa.

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