quarta-feira, 29 de junho de 2011

É necessário aprender-se a amar, por que o amor também se aprende, por Divaldo Franco


Todos os grandes do mundo falaram dele – o Amor – mas muitos de nós ainda estamos alheios ou dando passos muito tímidos, atrapalhados pelas obras do ego como o apego e o medo. Neste trecho do livro “Garimpo do Amor“, o médium espírita Divaldo Franco, autor de mais de 250 livros e tendo vendido mais de 8 milhões de exemplares, fala maravilhosamente do Amor, tentando demonstrar em situações como a ação amorosa aparece e como o ser humano se engrandece quando age com Amor. “Garimpo de Amor” tem 30 tópicos sobre o Amor e é escrito, segundo Divaldo, em conjunto com Joanna de Ângelis, sua guia espiritual.

Segue o trecho abaixo:

“Eis por que é necessário aprender-se a amar, porquanto o amor também se aprende, aprimorando-se incessantemente. Esse aprendizado é feito através de treinamento, de exercícios repetitivos, no início sem muita convicção, para, de imediato, passar-se a senti-lo em forma de bem-estar e de harmonia íntima. A medida que se fixa no sentimento, ocorre uma mudança de comportamento, de saúde, de experiências humanas e o ser todo se transforma emulado pela sua dúlcida melodia envolvente. Ao mesmo tempo, irrompe calmamente em forma de auto-estima e confiança em si mesmo, fazendo que desabrochem os valores espirituais que dão sentido e significado à vida.

Lentamente, as emoções tornam-se compensadoras, por propiciarem alegria de viver e de participar do relacionamento afetivo com outra pessoa. O amor que se dá é o amor que se recebe, e mesmo quando não é correspondido, abre espaços felizes para o perdão e para a compaixão pelo outro. Certamente, o relacionamento amoroso no casamento não transcorrerá sempre sem incidentes ou dificuldades, que são perfeitamente compreensíveis. No entanto, para que sejam ultrapassados esses impedimentos, a lealdade e o companheirismo tornam-se essenciais. Sem a submissão que humilha, através dos mecanismos das imposições e chantagens emocionais, o amor dialoga sem agressividade, discute sem acrimônia, discorda sem ressentimento, esclarece os conflitos e preenche os espaços vazios, os afastamentos…

Quando um dos cônjuges silencia ante a injustiça, inevitavelmente passa a acumular mágoa e a confiança cede lugar à suspeição, que derrapa em desrespeito e desconsideração. O amor, por isso mesmo, é generoso, compreensivo, mas verdadeiro, compartilhando de todas as ocorrências. Não anui com o erro para agradar, nem se escusa de cooperar em razão da presença de qualquer distúrbio. Sempre estimula à desculpa e à generosidade, trabalhando, no entanto, pela compreensão e pela harmonia que devem vigir no relacionamento afetivo. É o grande lutador contra o egoísmo, por fomentar a solidariedade e o bem geral.

Um relacionamento de amor é uma admirável experiência de aprendizagem constante, em cujo período de vigência apresenta angulações sempre novas e desafiadoras. Desarma quem preserva dúvidas e suspeitas, permitindo que a pessoa sinta-se
tranquila, nunca ameaçada, em sintonia com o anelo da legítima compreensão. Quando o amor real suplantar os interesses imediatos do sexo, e a necessidade do companheirismo e da ternura sobrepujar as inquietações do desejo, o matrimónio se
transformará em união ideal de corpos e de almas a serviço da Vida.

Para esse desiderato, cabe a cada parceiro o dever de nao se deixar anular, a pretexto de afeição pelo outro, nem se permitir uma situação de subalternidade ou de servilismo, tampouco de presunção e prepotência. O amor dulcifica e transforma para melhor, jamais se impondo ou constrangendo. O amor conjugal alça os indivíduos a patamares de harmonia e de alegria de viver incomuns, pois que tal é o seu objetivo, tornando-seclímax abençoado do desenvolvimento espiritual dos seres.”

terça-feira, 21 de junho de 2011

Relacionamentos superficiais - Marlise Flório Real


No tempo em que tudo funciona 24 horas e nada para, onde não se consegue tempo para se realizar tudo que se deseja, cada vez mais relacionar-se é coisa para um instante.
Assim eram chamadas relações sexuais com mulheres da vida: um instante. Mas hoje, tudo precisa acontecer muito rápido pois são muitas as coisas que se tem para fazer e o tempo não é nada.
Nisso tudo, junto com a ânsia de experiências sexuais e afetivas que caracterizam algumas épocas da vida, não só os jovens mas muitas pessoas vivem relacionamentos fugazes, superficiais e que não chegam a dar tempo para que os envolvidos realmente se conheçam.
Mesmo aqueles que desejam continuidade em seus relacionamentos não questionam esse interesse ou o próprio interesse do outro e assim ficam enredados em casos, em momentos que ficam com alguém sabendo que isto não vai dar em nada.
Não importa se o outro está interessado ou em quê está interessado, não importa nada se o outro dá sinais de que não haverá continuidade ou se já diz que tem outra pessoa e não quer nada além do momento. O que realmente interessa para muitos são esses momentos de puro prazer: do encontro superficial.
Quando estamos falando de pessoas que sabem lidar com essas situações, isto é, conscientes de que não haverá continuidade, então não sofrem as frustrações da separação, a problemática não aparece e nessa roda viva de encontros e desencontros tudo pode sem nenhum compromisso.
No entanto, quando alguém, deseja mais do que isso e não enxerga muito bem aonde está metido, fica sem dúvida sofrendo com a ausência, com a solidão e com o vazio. Também entra na mesma roda viva para quem sabe talvez descobrir que no próximo encontro tudo pode ser diferente.
Caminho incerto, inseguro e que frustra na medida em que a grande maioria das pessoas deseja relacionamentos mais seguros e que continuem para poder estar perto de quem proporcione bem estar além de prazer por um instante.
Nascemos seres para conviver, necessitamos cuidar e ser cuidados, precisamos saber que alguém nos ama, precisamos dedicar nosso amor a alguém, gostamos de sentir o aconchego do colo do outro, gostamos da atenção e do carinho que só outra pessoa pode nos brindar, nos deixa mais seguros saber que podemos contar com o outro e saber que podemos compartilhar preocupações e sucessos.
Os relacionamentos mais superficiais, sejam entre as pessoas de uma mesma família, sejam entre pessoas que se dizem amigas e, principalmente, entre duas pessoas que desejam sexo e amor, deixa marcas do vazio pois sua característica maior é a não continuidade, o término.
Assim, quando alguém deseja algo diferente disso precisa dizer não àquelas situações que prometem apenas esse tipo de relação.
Que relacionamentos desejamos ter é como todos estamos cansados de saber, uma escolha.
Cada vida uma história, cada escolha um tipo de relacionamento onde somos os personagens principais e se não tivermos cuidado conosco quem terá?





quarta-feira, 15 de junho de 2011

Na dúvida, mas sem medo nem ambição, pergunte-se:" Esse caminho tem coração?"








…. Há um meio especial de se evitar o sofrimento?
- Sim, há um Meio.
- É uma fórmula, um processo, ou o quê?
- É um modo de se agarrar as coisas. Por exemplo, quando eu estava aprendendo a respeito da erva-do-diabo, era por demais ansioso. Agarrava as coisas assim como as crianças agarram bala. A erva-do-diabo é apenas um entre um milhão de caminhos. Tudo é um entre um milhão de caminhos. Portanto, você deve sempre manter em mente que um caminho não é mais do que um caminho; se achar que não deve segui-lo, não deve permanecer nele, sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para si nem para os outros, em largá-lo se é isso o que seu coração lhe manda fazer. Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e de ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito. Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa. Essa pergunta é uma que só os muito velhos fazem. Meu benfeitor certa vez me contou a respeito, quando eu era jovem, e meu sangue era forte demais para poder entendê-la. Agora eu a entendo. Dir-lhe-ei qual é: esse caminho tem coração? Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum. São caminhos que atravessam o mato, ou que entram no mato. Em minha vida posso dizer que já passei por caminhos compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta de meu benfeitor agora tem um significado. Esse caminho tem um coração? Se tiver, o caminho é bom; se não tiver, não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida. Um o torna forte; o outro o enfraquece.”
Trecho do livro “A Erva do Diabo”, de Carlos Castañeda. Foto de Cornelia Kopp, no Flickr.
http://dharmalog.com/2011/06/15/na-duvida-mas-sem-medo-ou-ambicao-pergunte-se-esse-caminho-tem-coracao-carlos-castaneda/

sábado, 11 de junho de 2011

A IMPONTUALIDADE DO AMOR



A IMPONTUALIDADE DO AMOR
Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.
Martha Medeiros

terça-feira, 7 de junho de 2011

O erotismo é invenção!


O erotismo é invenção!

    Por: Marlise Flório Real, psicóloga marliseflorioreal@yahoo.com.br
Em sua raiz, o erotismo é sexo, natureza; por ser uma criação e por suas funções na sociedade, é cultura. Uma das finalidades do erotismo é domar o sexo e inseri-lo na sociedade. Com estas palavras Octavio Paz, escritor mexicano, escreve sobre o amor,  o sexo e o erotismo, e nos ajuda a pensar sobre as fronteiras da sexualidade. 

Nascemos seres sexuais e de convívio, no entanto, vivemos lutando contra o sexo, a convivência e os relacionamentos. Muitas vezes, parecemos tão onipotentes que assinalamos não precisar de ninguém para viver, como se nos bastássemos.
 
Nossa humanidade nos fez seres frágeis que desde nosso nascimento fica explícito o quanto precisamos ser cuidados e protegidos, para que possamos desenvolver nossas plenas condições para viver. Ao longo do crescimento precisamos de outras seguranças que também nos são dadas pelos que nos antecedem. Tudo isso rejeitamos com facilidade, criticamos e queremos fazer sem aproveitar os saberes anteriores. 

O nosso domínio é restrito, o nosso tempo é pequeno, nós somos limitados e ao mesmo tempo inteligentes e capazes de muitas invenções, criações que nos permitem dar pulos em direções variadas. 

Queiramos ou não, o sexo é um impulso primordial que mostra como nos relacionamos e como vivemos. Para muitos é uma busca incessante pelo prazer e dessa maneira o erotismo aparece como forma variada que exerce o controle e a regulação do comportamento sexual. Ao contrário dos animais que têm períodos de excitação e períodos de pausa, mesmo que os humanos tenham também mais excitação nesses períodos hormonais, a regulação da sexualidade humana não é fisiológica. 

Assim, passamos a discutir sem parar regras para a sexualidade e as invenções são muitas, surgiram os tabus e as diversas obrigações para fundamentar um sexo não subversivo. O sexo nos dá medo ao mesmo tempo que nos oferece um prazer muito intenso. Medo porque nos coloca ante uma experiência sem controle e muito intensa que é o orgasmo. 

Diante dessas possibilidades de perder o caminho do certo e do errado, de sentir o abandono ante o desejo sexual e o desejo pelo amor, o erotismo passa a ser o vilão que produz e induz aos comportamentos mais desregrados, porque sem dúvida é no erótico que a sexualidade se desvia da sua função principal: a reprodução. 

Tanto receio da reprodução, tantas maneiras para não se reproduzir, tanto controle do corpo que não se conhece e que até se teme conhecer podem levar ao descontrole e a falta de regras pela simples necessidade de sentir liberdade. 

Enquanto ser livre pode estar no reconhecimento das limitações, da necessidade de estar com o outro, de ser visto, de ser reconhecido, de poder desejar sexo, de gostar da invenções eróticas, de poder escolher o amor. 

O sexo enquanto aspecto essencial para a continuidade, pode contar com as múltiplas faces do erotismo que estimula o amor ascendendo a chama da vida, conforme o sábio poeta nos fala.