terça-feira, 7 de junho de 2011

O erotismo é invenção!


O erotismo é invenção!

    Por: Marlise Flório Real, psicóloga marliseflorioreal@yahoo.com.br
Em sua raiz, o erotismo é sexo, natureza; por ser uma criação e por suas funções na sociedade, é cultura. Uma das finalidades do erotismo é domar o sexo e inseri-lo na sociedade. Com estas palavras Octavio Paz, escritor mexicano, escreve sobre o amor,  o sexo e o erotismo, e nos ajuda a pensar sobre as fronteiras da sexualidade. 

Nascemos seres sexuais e de convívio, no entanto, vivemos lutando contra o sexo, a convivência e os relacionamentos. Muitas vezes, parecemos tão onipotentes que assinalamos não precisar de ninguém para viver, como se nos bastássemos.
 
Nossa humanidade nos fez seres frágeis que desde nosso nascimento fica explícito o quanto precisamos ser cuidados e protegidos, para que possamos desenvolver nossas plenas condições para viver. Ao longo do crescimento precisamos de outras seguranças que também nos são dadas pelos que nos antecedem. Tudo isso rejeitamos com facilidade, criticamos e queremos fazer sem aproveitar os saberes anteriores. 

O nosso domínio é restrito, o nosso tempo é pequeno, nós somos limitados e ao mesmo tempo inteligentes e capazes de muitas invenções, criações que nos permitem dar pulos em direções variadas. 

Queiramos ou não, o sexo é um impulso primordial que mostra como nos relacionamos e como vivemos. Para muitos é uma busca incessante pelo prazer e dessa maneira o erotismo aparece como forma variada que exerce o controle e a regulação do comportamento sexual. Ao contrário dos animais que têm períodos de excitação e períodos de pausa, mesmo que os humanos tenham também mais excitação nesses períodos hormonais, a regulação da sexualidade humana não é fisiológica. 

Assim, passamos a discutir sem parar regras para a sexualidade e as invenções são muitas, surgiram os tabus e as diversas obrigações para fundamentar um sexo não subversivo. O sexo nos dá medo ao mesmo tempo que nos oferece um prazer muito intenso. Medo porque nos coloca ante uma experiência sem controle e muito intensa que é o orgasmo. 

Diante dessas possibilidades de perder o caminho do certo e do errado, de sentir o abandono ante o desejo sexual e o desejo pelo amor, o erotismo passa a ser o vilão que produz e induz aos comportamentos mais desregrados, porque sem dúvida é no erótico que a sexualidade se desvia da sua função principal: a reprodução. 

Tanto receio da reprodução, tantas maneiras para não se reproduzir, tanto controle do corpo que não se conhece e que até se teme conhecer podem levar ao descontrole e a falta de regras pela simples necessidade de sentir liberdade. 

Enquanto ser livre pode estar no reconhecimento das limitações, da necessidade de estar com o outro, de ser visto, de ser reconhecido, de poder desejar sexo, de gostar da invenções eróticas, de poder escolher o amor. 

O sexo enquanto aspecto essencial para a continuidade, pode contar com as múltiplas faces do erotismo que estimula o amor ascendendo a chama da vida, conforme o sábio poeta nos fala. 


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário