terça-feira, 21 de junho de 2011

Relacionamentos superficiais - Marlise Flório Real


No tempo em que tudo funciona 24 horas e nada para, onde não se consegue tempo para se realizar tudo que se deseja, cada vez mais relacionar-se é coisa para um instante.
Assim eram chamadas relações sexuais com mulheres da vida: um instante. Mas hoje, tudo precisa acontecer muito rápido pois são muitas as coisas que se tem para fazer e o tempo não é nada.
Nisso tudo, junto com a ânsia de experiências sexuais e afetivas que caracterizam algumas épocas da vida, não só os jovens mas muitas pessoas vivem relacionamentos fugazes, superficiais e que não chegam a dar tempo para que os envolvidos realmente se conheçam.
Mesmo aqueles que desejam continuidade em seus relacionamentos não questionam esse interesse ou o próprio interesse do outro e assim ficam enredados em casos, em momentos que ficam com alguém sabendo que isto não vai dar em nada.
Não importa se o outro está interessado ou em quê está interessado, não importa nada se o outro dá sinais de que não haverá continuidade ou se já diz que tem outra pessoa e não quer nada além do momento. O que realmente interessa para muitos são esses momentos de puro prazer: do encontro superficial.
Quando estamos falando de pessoas que sabem lidar com essas situações, isto é, conscientes de que não haverá continuidade, então não sofrem as frustrações da separação, a problemática não aparece e nessa roda viva de encontros e desencontros tudo pode sem nenhum compromisso.
No entanto, quando alguém, deseja mais do que isso e não enxerga muito bem aonde está metido, fica sem dúvida sofrendo com a ausência, com a solidão e com o vazio. Também entra na mesma roda viva para quem sabe talvez descobrir que no próximo encontro tudo pode ser diferente.
Caminho incerto, inseguro e que frustra na medida em que a grande maioria das pessoas deseja relacionamentos mais seguros e que continuem para poder estar perto de quem proporcione bem estar além de prazer por um instante.
Nascemos seres para conviver, necessitamos cuidar e ser cuidados, precisamos saber que alguém nos ama, precisamos dedicar nosso amor a alguém, gostamos de sentir o aconchego do colo do outro, gostamos da atenção e do carinho que só outra pessoa pode nos brindar, nos deixa mais seguros saber que podemos contar com o outro e saber que podemos compartilhar preocupações e sucessos.
Os relacionamentos mais superficiais, sejam entre as pessoas de uma mesma família, sejam entre pessoas que se dizem amigas e, principalmente, entre duas pessoas que desejam sexo e amor, deixa marcas do vazio pois sua característica maior é a não continuidade, o término.
Assim, quando alguém deseja algo diferente disso precisa dizer não àquelas situações que prometem apenas esse tipo de relação.
Que relacionamentos desejamos ter é como todos estamos cansados de saber, uma escolha.
Cada vida uma história, cada escolha um tipo de relacionamento onde somos os personagens principais e se não tivermos cuidado conosco quem terá?





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